domingo, 27 de dezembro de 2009

Cansada estou da igualdade. Da igualdade dos dissabores alheios e da certeza do que virá depois.
Cansada estou da igualdade. Da certeza de que o que virá depois sempre vem e vai com a ressaca da maré.
Cansada estou da certeza da ressaca. Esta que indo e vindo com a maré fustiga-me com melancolia

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Variações de português rezando para um mesmo Deus soa engraçado principalmente numa cidade onde esta não é a língua oficial.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Eu saio entrando num freezer e entro saindo num agradável outono. Picoléando por aí rezo por um lugar para descongelar as extremidades

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

É muito estranho quando se pára pra pensar o estudar artes numa escola. Quem eles pensam que são pra julgar isso ou aquilo bom, artístico, válido, ou seja lá que outro nome seja utilizado para definir algo como arte. Essa questão não significa que eu tenha algum problema em relação ao que me dizem, aliás muito pelo contrário, mas a relação professor/ aluno tem me incomodado. Ninguém ensina ninguém a ser artista, por outro lado pode sim, ensinar as técnicas. Enquanto elas ainda não forem completamente esquecidas. Não quero ser avaliada por um júri. Na realidade estou pouco me lixando pro que pensam os outros. Agora eu sei o que eu quero, eu sei o que preciso fazer e tenho uma certa noção de até onde consigo ir no presente momento com a pintura ou as artes de um modo geral. Eu nunca pretendi ser uma escritora mas a verdade é que para ter idéias preciso organizar meu furdunço mental. Para tal me despejo neste blog. Eu nunca pretendi ter uma boa escrita e na realidade eu escrevo à minha maneira, com ausência de crases, assentos, vírgulas e outras tantas pequenas coisas que deveríamos ter aprendido na escola... Eu não queria precisar estar numa escola. Eu não queria precisar de dinheiro. Eu não queria precisar estar inserida nesta bosta deste planeta. E eu não queria que você me desse sua opinião mas como eu sei que você não se importa com minhas querências então vai rápido e que seja indolor, incolor e inodoro.

Francês/ Portugais

Ando meio confusa com as minhas angoisses e quelques fois eu mélange o francês com o portugais dans ma tête. C'est bizarre parce que eu tenho reflexos de parler plutôt en français com alguém que fala português e quando faço meus pequenos textos je perds muito tempo pour regarde le choses que ne marche pas très bien em português. A língua é algo esquisito car j'ai toujours pensé que eu me exprimia muito bem em português mais cela s'agit d'une chose complètement faux. En tout cas c'est plutôt facile pour moi de m'exprimer em portugais qu'en francês. J'ai uma salade mista na minha tête. Je parle quoi? Hein?
Tenho sentido uma vontade de escrever de dar frenesi nos dedos mas como em geral não tenho meu computador nessas horas essa vontade é enterrada até a próxima primavera. O problema é que em uma semana tive várias primaveras sufocadas. No presente momento diria que estou no outono e são as folhas amareladamente secas que se precipitam como letras negras nesse fundo virtualmente branco. Elas serviram de adubo? Daqui a alguns dias quem sabe...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Não me sinto inteligente mas estou adquirindo a incrível capacidade de achar quase todo ser humano burro. Provavelmente estou chata e caminhado para algo no estilo intragável pois nem as gargalhadas eu consigo controlar. Gargalhadora maníaca, talvez... Esse mundo estúpido me faz rir... Essas pessoas e esses problemas idiotamente iguais... Estou ficando com preguiça de viver em tanta igualdade de pobreza de espírito e desigualdade que gera a ausência de riqueza nos bolsos...
Que as pessoas peguem toda a sua importância e guardem num lugar apropriadamente longe de mim... Minha cota de paciência pra humanidade tá por um fio de cabelo meu. Que se achem antes e longe de mim pois como eu não procuro realmente não quero encontrar, mas encontro. Que não forjem sorrisos mas que não me venham com patadas. Que metam toda sua sapiência no bolso furado da calça mas que eu não pise em cima. Que eu respire fundo antes de ouvir toda a ladainha e que você reze pra que eu não ria da sua cara pois será constrangedor.
Eu só quero um lugar pra morar... Mas me sinto procurando uma casa muito engraçada que se não teto, óbvio, não tem mais nada. A rede eu dispenso, porque da dor na coluna, mas uma parede já seria bem interessante... O penico também não me interessa, mas pedir um banheiro já é querer demais... Ela não era feita com muito esmero mas era pros bobos e no número zero... Ou em Genebra mesmo...

domingo, 29 de novembro de 2009

Ouvindo um concerto de maturidade tive a certeza de que o caminho percorrido foi de dúvidas e portas na cara. Me sinto em progresso, regresso. Me cobro demais por me achar um nada. Me cobro ainda mais pelas portas na cara. Agora progresso e no regresso ainda mais. Regressando no progresso sinto que abrirei algumas portas ao retornar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Rei Está Nu

No meu mundinho abstrato o rei está vestido, mas o de vocês está nu! Como ninguém consegue ver ou finge que não enxerga? Vocês realmente querem me convencer que assim está bom? Eu não quero ser tão inteligente quanto vocês... Prefiro a minha "ignorância". No meu mundinho o rei também estava nu mas eu não tentei enganá-lo, ou me enganar, e foi de uma colcha de retalhos que costurei seu manto. Eu me ofereço pra vestir o rei de vocês mas por que vocês não querem admitir que o seu rei anda como o mais miserável dos mendigos?

sábado, 21 de novembro de 2009

Eu quero

Eu quero tirar cores dos pequenos dissabores e jogar naquela tela branca.
Eu quero tirar das letras grandes idéias.
Eu quero tirar das lágrimas um momento feliz que certamente virá.
E do sorriso um momento bom pra ficar.
Eu quero tirar do céu a esperança.
E do caminho uma longa jornada.
Eu quero pegar de volta a inocência das crianças
E tirar da sua ausência boas lembranças
Eu quero tirar da música aquela vontade de viver um filme
Eu quero dos encontros harmonia
E dos desencontros encontrar alguém
Eu quero tirar da agonia a solução
E eu quero sofrer tudo
E depois sofrer ainda mais, se for por amor
Eu quero tirar as cercas que nos impedem de termos vidas mais saudáveis
Eu quero tirar da vida a vida
E eu quero tirar tudo isso e mais um pouco mas sem tirar nada de ninguém.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Vou me gastar até que reste só um corpo despido e do corpo doído roer meus ossos até morrer.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Me deixa reclamar po... é a segunda coisa que eu faço de melhor...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Se eu pudesse choraria dormindo pra economizar um pouco de tempo com as duas coisas que eu mais tenho vontade de fazer...
Me sinto não muito bem quando paro pra pensar que o mais perto que eu tenho chegado de dar carinho pra alguém tem sido acariciar o teclado enquanto escrevo pra mim mesma...
Me sustentando nos sorrisos infantis que funcionam como lenços nos meus dias lacrimosos, espero porém um sorriso invisível. Menos infantil.
Eu sei que você está aí! Ou está lá? Onde lá? Você já foi feito por alguém. Já foi impresso no meu espaço-tempo e eu tenho quase um déjà vu que me permite vê-lo de leve. Eu sinto o seu sorriso... Invisível.

sábado, 7 de novembro de 2009

Os lugares guardam uma memória. Eu posso senti-la.
Até eu imprimir minha memória em um espaço demora por isso fere quando a força pessoas imprimem as memórias delas no meu espaço. Não há uma reimpressão. Pra sempre restará aquela tinta fresca no espaço tempo da minha memória. Não me interessa o que houve antes de mim. Eu imprimo e pronto. Mas a minha porta fechada eu não tenho como abrir naquele momento. Me sinto de fora.
Acho que estou ficando doente.
Os nomes não me dizem mais nada.
As conversas estão sempre vazias.
Os rostos são todos iguais com suas diferentes línguas bizarras.
Acho que estou ficando doente.
Alguém vive minha vida no meu lugar.
É como um video game e sua brilhante possibilidade de jogar em primeiro plano ou não.
Sem escolher. Só jogando.
Acho que estou ficando doente.
O tempo e o espaço se confundem.
Não sei mais em que época estou.
Acho que estou ficando doente.
Sou.
Eu sou neurótica, sim! E tudo que eu queria era um pouco, mas so um pouquinho mesmo, de respeito. Fodam-se TODOS vocês, mas NÃO NA MINHA CAMA! Será que algum ser humano no mundo um dia conseguirá entender que a MINHA CAMA é o meu LUGAR SAGRADO e que NINGUÉM, salvo eu, deve encostar nela? Acho que não... se me serve de consolo os lençóis já estão limpos e o cigarro não mais se manifesta... mas a presença não sai...
Muitas línguas ao mesmo tempo embaralham a minha boca.
Línguas, permaneçam dentro de seus compartimentos de nascença, pois meus ouvidos vão enlouquecer. Quem vai desatar o nó do meu cérebro?
Fica o apelo...
Eu só queria dormir ou, a cerveja quer que eu durma...
Tchau blog. Oi? Cama? Hein?
Eu amo em português.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Obrigações

Obrigações.
Como bem já diz a palavra: obriga ações.
Obrigada por me obrigar a ter idéias geniais quando, no fundo, no fundo tudo o que eu quero é ser livre pra ter ideias normais. Normalmente idiotas e comuns. Eu não quero ser obrigada, muito obrigada, e me ser o tempo inteiro, a me ser por inteiro. As vezes me quero ser pelo meio. Mas, obrigações, obriga ações. As vezes se ser pelo meio é se ser por completo, é um complexo menos complexo. Mas, obrigações, obriga ações. As vezes só preciso tomar um fôlego rápido e como uma bala já posso voltar pro fundo da piscina e por dias e dias ficar sem respirar. Outras eu preciso de dias e dias pra respirar. Como explicar? Preciso de ar! Mas, obrigações... Obriga ações. Isso está me sufocando. Preciso de dias e dias há dias mas estou presa no fundo da piscina..!.!..!...!!!!!.. . . Obrigações, obriga ações. Obrigada à ações. Obrigada ações. Obrigações. Não! Muito obrigada. E desde sempre, obrigada.

Pessoas Opacas

Pessoas opacas...
Pacas!
Pessoas opacas pacas...
Pessoas pacas
Opacas.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Eu descobri muito cedo que são todos uns idiotas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A vida é a nossa gaiola de obrigações.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Ser triste é minha maior felicidade.

domingo, 18 de outubro de 2009

Depois de um pouco refletir sobre minhas idéias circulares, com uma companhia agradável e um bom copo de chocolate quente, conclui: O que seria da arte sem a tristeza? Posso dizer que não seria grande coisa porque assim como a preguiça é mãe dos avanços tecnológicos, a tristeza é o sentimento que nos impulsiona a alcançar a dita felicidade. Se fossemos todos felizes não teríamos o que buscar e isso por si só já é triste. Viver sem objetivo... Eu prefiro ser triste, ser triste e buscar até o fim dos meus dias ser feliz pois em cada cor e cada pequeno gesto eu vejo uma beleza que poucos são capazes de enxergar. Vocês se enfeitam com vendas nos olhos e sorrisos de plástico. Eu me enfeito com lágrimas que brotam da alma como estrelas fantasmas para brilhar no meu céu nublado.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A arte de te amar ou não

Umas vezes te amo e outras te odeio profundamente. Tantas discussões inúteis... Já pensei em te abandonar diversas vezes mas algo em mim ainda insiste. Insiste. Talvez fosse melhor mesmo algo mais mecânico. São tantas as questões... Inútéis... Inúteis... Mas algo em mim ainda insiste. Insiste. Queria algo mais concreto. Mais certo. Um caminho menos torto. Com algum objetivo. Mas algo em mim ainda insiste. Insiste...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Delírios Abstratos

Dos sorrisos vazios e "bom dia" mecânicos resta-me apenas dor. Dor de alguém auto-insuficiente. Sempre me achei diferente dos outros mas me descobri igual. Igualmente humana no sentido de precisar de um sorriso sincero e de alguém pra se jogar conversa fora. Mas eu sempre faço tudo errado... Me pintando com notas, me escrevendo com cores e me tocando com letras. Com notas de tristeza, com cores de quem já foi mas com letras de quem quer voltar. De quem quer voltar a aprender a ser de novo e pela primeira vez diferente, com cores de quem será e com notas de felicidade. Felicidade é uma palavra que me desanima pois o ato de ser feliz implica em deixar de se-lo e a vontade de ser feliz denuncia alguém que não o é. E não o é por motivos não compreensíveis pois se a mesa não é farta não quer dizer que não se tenha opção na hora do jantar. Me sinto cansada e confusa. Cansada de não viver e confusa por viver na minha dimensão. As vezes acho que mesmo com todas as minhas semelhanças não sou daqui. Outras, acho que ninguém é daqui. Então, como eu sou muito especial pelo menos pra um alguém chamado eu, retorno a me crer diferente. Meus olhos parecem comuns. Mas não são. Toda vez que os encaro no espelho vejo um alguém velho, cansado e triste. São neles que guardo as rugas da idade que meu corpo ainda não apresenta. Outra pergunta, que as vezes vejo se sacudindo na minha cabeça, é: sou triste de nascença ou simplesmente aprendi religiosamente a ser assim?
Sem mais delongas gostaria de fazer meus agradecimentos: Obrigada primeiramente a mim pela iniciativa e pelo patrocínio para este post. Em segundo lugar às questões inúteis que sempre sobem que nem poeira no chão. E por último, mas não menos importante, aos meus leitores, ou seja, eu em dias diferentes. Resumindo, obrigada a mim porque mesmo estando sempre deprimida consigo fazer um trocadilho idiota que me fará rir amanhã.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pequeno problema de auto-reconhecimento

Livia. Palavra estranha que por algum motivo quando é pronunciada me faz virar a cabeça em busca de seu projetor. Taí uma coisa que nunca perguntei pra ninguém... Será que todo mundo se sente estranho quando chamado por seu nome? Algo me diz que não. Pra mim é um tanto quanto bizarro quando alguém, salvo eu, se dirige a mim utilizando essa pequenina palavra de cinco letras. Desde sempre eu aprendi que era eu. Mas na realidade nunca me senti ela. Sempre que a ouço levo um susto como se fosse uma criança levada cujo os pais chamam atenção. Eu sei que essa tal Livia mora em mim, mas não sei onde. Ou, talvez, ela tenha se mudado ou mesmo morrido na infância. O mesmo digo pro ser desconfigurado que vejo refletido no espelho... Desde sempre eu aprendi que aquilo era eu... Mas eu não sou feita de cacos de vidros embora meu coração seja despedaçado. Na realidade são esses pedaços que ferem o resto. Eu reconheço em mim aquilo que vejo: minhas pernas, meus braços, mãos e etc, até mesmo o meu nariz, mas não o meu rosto por completo. O ser do espelho é feito de vidro. O ser fotografado é uma distorção feita através de uma máquina. Eu não confio em máquinas... Quem é Livia? Será o reflexo no espelho? E eu? Quem sou?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Com o corpo todo mole e a mente meio fraca não sei de onde vem os comandos. Simplesmente faço como pessoa obediente que sou. Estou começando a ficar farta. A única vontade que tenho é de me abraçar com o edredom e com ele dormir enroscada enquanto o travesseiro acalenta com doçura o líquido que cisma em escapar de meus olhos.
Queria conversar com alguém, que nos meus padrões de inteligência, não fosse idiota. Queria um amigo, um ombro (físico) amigo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Espaços e Lembranças

É muito estranho sentir lembranças diferentes em um mesmo espaço. Talvez por isso eles se dividam... Espaços iguais transmitem diferentes sensações mas é certo que eles guardam para todo o sempre os gritos dados ou não, as lágrimas que ensaiaram desfilar ou que se intimidaram, os sorrisos, os abraços, os... Quando cheguei aqui senti o lugar acinzentado mas hoje notei que já consegui colorir meu quarto que embora no início tenha sido meu cárcere agora já é meu refúgio. Refúgio de uma dor que não é minha mas que eu bebo como se fosse a última gota d'água numa garrafa de coca-coca em um dia quente, longe de casa e sem dinheiro. Notei também que quando passo da minha porta pra fora, por todo o resto sinto tristeza e dor, pelo jeito como se acomoda e como soa sua trilha sonora. No meu quarto a bagunça colorida (sim, eu precisei vir pra seriedade pra botar cor nas minhas coisas e em mim - me pintar um outro eu) me fornece energia pra enfrentar o que tem lá. E minha trilha sonora, nem tão feliz assim, parece-me a melhor coletânea já feita nesses termos. Talvez porque tenha sido assim que eu tenha me sentido quando a montei...

domingo, 13 de setembro de 2009

Homens...

Todos iguais... Só pensam em suas necessidades físicas, em satisfazê-las...
Não acredito em amor eterno pois há muito deixei de ser criança. Príncipes são encantados nas histórias infantis onde o final feliz está muito além, e um pouco a baixo, dos rostos entrelaçados e emoldurados por um coração.
Não quero um final feliz. Queria um crescimento compassado mas quanto mais olho à minha volta mais vejo a luz incidir na verdade. Nenhum crescimento é compassado. Eu não quero um príncipe. E por isso jogo fora os papeizinhos com números em série... Foi pra isso que inventaram bonecas infláveis... Eu não sou uma delas...

Carretel

A cada volta do carrossel, junto com o movimento vertical dos cavalos, sinto-o como um carretel que se forma de minhas angústias através de uma linha imaginária. Pessoas vão e vem com seus rostos singulares cada uma carregando o que lhes incomoda e completamente alheias as dores que quem caminha ao seu lado carrega no peito. Talvez nós mesmo só saibamos quando ela nos escapa deixando para trás uma dor lancinante. O carrossel parou. Um trenzinho passou. E, minha calça xadrez continua jogada no banco com seu recheio de carne doída. Até pra sofrer tenho hora marcada pois daqui a pouco toca o despertador da realidade me chamando pra tomar o remédio das dores mundanas. Sinto dois frios: o frio de dentro pra fora que com um arrepio na espinha projeta uma lágrima morna que em instantes se congela. O outro frio é o frio de verdade, embora eu esteja bem agasalhada. Não sei se tenho mais a me dizer... É tudo tão repetitivo, sempre... O que sei é que acho que o tempo esta me dando um toque de recolher. Talvez sim... O carrossel parou, mais uma vez, e o trenzinho está de volta...

sábado, 5 de setembro de 2009

Ódio

O ódio me consome a tal ponto que não sei o que devo escrever, mas sei que devo fazê-lo.
Sinto que vou explodir. Meu interior pulsa tão forte que acho que inconscientemente quero virar do avesso. Odeio depender dos outros. Odeio morar na casa dos outros. Odeio não poder fazer o que eu quero. E, por mais que normalmente eu fique trancafiada dentro de um quarto odeio quando esta é minha única alternativa. Odeio querer chorar por isso e me odeio quando choro, por mais que as vezes seja melhor. Não, não me odeio mais por que não estou chorando. Acho que estou sangrando de ódio por dentro porque as vezes sinto dores fortes perto do coração, ou talvez seja nele próprio. Não sei se isso é o que chamam de ódio mortal, mas sei que é auto-destrutivo. Queria controlar mais esses sentimentos mas me sinto deficiente nesse ponto, é como querer andar mas estar condenado à uma cadeira de rodas.

sábado, 8 de agosto de 2009

Tomada de Consciência

Uma amizade pode rachar por diversos motivos. Hoje descobri que a sensação é a mesma de quando se rompe o amar entre um homem e uma mulher. É como se fosse dada uma volta em torno da pessoa, ou talvez tenha sido uma tontura, e ao retornar a pessoa não tivesse mais o mesmo brilho ou não despertasse mais o mesmo interesse. A aliança foi rachada e por mais que eu tenha tentado emendá-la para sempre ficará um quelóide naquele lugar.

sábado, 30 de maio de 2009

O Filme

felicidade
fe.li.ci.da.desf (lat felicitate)
1 Estado de quem é feliz. 2 Ventura. 3 Bem-estar, contentamento. 4 Bom resultado, bom êxito. F. eterna: bem-aventurança.

Felicidade. De tanto observar as coisas e o comportamento alheio, alheia me sinto a certos sentimentos e sensações ditas humanas: felicidade - só mais uma delas mas a que me fez ter vontade de escrever novamente. Longe d'eu sentir tristeza. O que sinto em realidade é estar sentada numa cadeira de cinema e todos a minha volta compondo um filme sem protagonista. Ou cada um sendo protagonista de uma cena. Não me sinto incomodada. Eu só queria poder pausar enquanto bebo minha água. Mas enfim... Com licença, tenho que pegar o script. Ei! a próxima cena é a minha! E o diretor diz: CORTA! Intervalo.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

meu desenho é ruim...
os do van gogh também eram...
[grande consolo]


pinceladas ora poético-líricas, ora expressivas e carregadas de cansaço e tristeza num acumulo de tinta tão feio quanto eu...

domingo, 22 de março de 2009

Raparigando Ideias

Se, na teoria, ao se cursar uma faculdade de artes o objetivo é desenvolver uma linha estética de seu trabalho eu digo que, na verdade, é sobreviver na selva. Os professores (entenda-se: não todos, mas ninguém vem com plaquinhas na testa) são os predadores do topo da cadeia e se por um lado avaliam nossos trabalhos por outro os levam à cama e gozam masgitralmente enquanto nós, insignificantes seres do fim da linha, choramos pela rapariga roubada. Há também os ladrões de ideias do mesmo grupo que eu mas estes não me afetaram ainda...

sábado, 21 de março de 2009

tal qual quinta da semana passada (glorioso dia em que minha existência completou mais uma volta em torno do suntuoso astro solar) nesta ultima que se passou fui acometida por um pico de tristeza profunda que me fizeram banhar a face. meu ombro amigo foi a parede do boxe e a água que saia do chuveiro me acariciava com afeto e ouvia com presteza meus soluços abafados. e o afeto se mesclava à tristeza. o fluxo de ambos era intenso e pouco tempo depois não se sabia mais quem era quem.

a falta de ideias é a tristeza ou é a tristeza a falta de ideias?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Vácuo Infernal da Preguiça Inútil

dai-me a santa paciência necessária para suportar o transbordamento da preguiça mesclada com cansaço. emplacar-me-hei com esta reza até que os fluidos etéreos do pensar captem minha mensagem.

ideias vazias me perseguem no vácuo estranho onde se ouvem ecos. ecos de minha voz outrora jovem... agora rouca de tanto esperar outro timbre como resposta. se existe uma fila para se conseguir o que se quer eu peguei a senha há 20 anos e minha irritante complacência/ compaixão me impedem de chegar ao guichê.

foda-se.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Meu Xadrez

o xeque é dado na rainha
do meu lado branco não existe rei, existem 9 peões
minha rainha não se importa se dorme com bispos ou cavalos
meu objetivo é dar mate na rainha preta e amigar minha rainha ao rei inimigo
ou na pior das hipóteses devo acabar com os líderes inimigos e promover uma de minhas peças à rei
o coração batia mansinho até a dialética de desejos por o corpo em estado de inércia enquanto na mente uma cavalaria de atitudes se rebelava inutilmente