segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Espaços e Lembranças

É muito estranho sentir lembranças diferentes em um mesmo espaço. Talvez por isso eles se dividam... Espaços iguais transmitem diferentes sensações mas é certo que eles guardam para todo o sempre os gritos dados ou não, as lágrimas que ensaiaram desfilar ou que se intimidaram, os sorrisos, os abraços, os... Quando cheguei aqui senti o lugar acinzentado mas hoje notei que já consegui colorir meu quarto que embora no início tenha sido meu cárcere agora já é meu refúgio. Refúgio de uma dor que não é minha mas que eu bebo como se fosse a última gota d'água numa garrafa de coca-coca em um dia quente, longe de casa e sem dinheiro. Notei também que quando passo da minha porta pra fora, por todo o resto sinto tristeza e dor, pelo jeito como se acomoda e como soa sua trilha sonora. No meu quarto a bagunça colorida (sim, eu precisei vir pra seriedade pra botar cor nas minhas coisas e em mim - me pintar um outro eu) me fornece energia pra enfrentar o que tem lá. E minha trilha sonora, nem tão feliz assim, parece-me a melhor coletânea já feita nesses termos. Talvez porque tenha sido assim que eu tenha me sentido quando a montei...

domingo, 13 de setembro de 2009

Homens...

Todos iguais... Só pensam em suas necessidades físicas, em satisfazê-las...
Não acredito em amor eterno pois há muito deixei de ser criança. Príncipes são encantados nas histórias infantis onde o final feliz está muito além, e um pouco a baixo, dos rostos entrelaçados e emoldurados por um coração.
Não quero um final feliz. Queria um crescimento compassado mas quanto mais olho à minha volta mais vejo a luz incidir na verdade. Nenhum crescimento é compassado. Eu não quero um príncipe. E por isso jogo fora os papeizinhos com números em série... Foi pra isso que inventaram bonecas infláveis... Eu não sou uma delas...

Carretel

A cada volta do carrossel, junto com o movimento vertical dos cavalos, sinto-o como um carretel que se forma de minhas angústias através de uma linha imaginária. Pessoas vão e vem com seus rostos singulares cada uma carregando o que lhes incomoda e completamente alheias as dores que quem caminha ao seu lado carrega no peito. Talvez nós mesmo só saibamos quando ela nos escapa deixando para trás uma dor lancinante. O carrossel parou. Um trenzinho passou. E, minha calça xadrez continua jogada no banco com seu recheio de carne doída. Até pra sofrer tenho hora marcada pois daqui a pouco toca o despertador da realidade me chamando pra tomar o remédio das dores mundanas. Sinto dois frios: o frio de dentro pra fora que com um arrepio na espinha projeta uma lágrima morna que em instantes se congela. O outro frio é o frio de verdade, embora eu esteja bem agasalhada. Não sei se tenho mais a me dizer... É tudo tão repetitivo, sempre... O que sei é que acho que o tempo esta me dando um toque de recolher. Talvez sim... O carrossel parou, mais uma vez, e o trenzinho está de volta...

sábado, 5 de setembro de 2009

Ódio

O ódio me consome a tal ponto que não sei o que devo escrever, mas sei que devo fazê-lo.
Sinto que vou explodir. Meu interior pulsa tão forte que acho que inconscientemente quero virar do avesso. Odeio depender dos outros. Odeio morar na casa dos outros. Odeio não poder fazer o que eu quero. E, por mais que normalmente eu fique trancafiada dentro de um quarto odeio quando esta é minha única alternativa. Odeio querer chorar por isso e me odeio quando choro, por mais que as vezes seja melhor. Não, não me odeio mais por que não estou chorando. Acho que estou sangrando de ódio por dentro porque as vezes sinto dores fortes perto do coração, ou talvez seja nele próprio. Não sei se isso é o que chamam de ódio mortal, mas sei que é auto-destrutivo. Queria controlar mais esses sentimentos mas me sinto deficiente nesse ponto, é como querer andar mas estar condenado à uma cadeira de rodas.